só um pé na meia-ponta
domingo, 5 de outubro de 2014 at 18:16
Com meus passos fracos na meia-ponta, eu me desequilibro e mais uma vez vou ao chão. Uma gota quente escorre pelo meu rosto enquanto várias outras (gotas) geladas atacam meu corpo, sem se importar com a minha dor. E quem se importar? Eu me importo? Eu corro para os mesmos colos familiares que já são famosos por me magoarem, mas eu ainda assim confio. Por que eu confio? Então eu caio. Caio no buraco frio e escuro que é a minha depressão. Coitadinha dela...
Ainda perdida, eu tento gritar por ajuda, mas sou orgulhosa demais para isso. Sou medrosa demais para isso? Tem três mãos esticadas para mim, oferecendo-me tudo o que têm no mundo. E eu não aceito. Um por um, vão embora. E eu ainda não aceito minha solidão, não aceito nenhuma companhia. Eu tento dançar, mas ainda não posso. Eu vivo escorregando na meia-ponta.